Artigo · Arquitetura Sustentável

3 passos para uma Arquitetura Sustentável de sucesso

Por Esdras Souto Jr. — BArch., LEED Green Associate · Leitura: 5 min

Publicado originalmente em inglês no LinkedIn (24 de agosto de 2017) — leia o original.

“Todos os povos que criaram algo em termos de Arquitetura desenvolveram suas próprias formas favoritas, tão peculiares a eles quanto sua língua, seus trajes ou seu folclore. Antes do colapso das fronteiras culturais do século passado, havia, em todo o mundo, formas e detalhes locais característicos de arquitetura, e as construções de qualquer localidade eram os belos filhos de um casamento feliz entre a imaginação do povo e as necessidades de suas áreas rurais.” — Hassan Fathy

A Arquitetura Sustentável deve partir da perspectiva da sustentabilidade ecológica, da inclusão social e do respeito cultural. Essas são as diretrizes essenciais que todo projeto sustentável deveria seguir.

O conceito de Arquitetura Sustentável vai muito além da simples ideia de uma construção energeticamente eficiente — ou mesmo dos conceitos de sustentabilidade ecológico-ambiental em si. A verdadeira Arquitetura Sustentável é um processo mais amplo, que precisa considerar todos os pilares fundamentais da sustentabilidade: social, cultural, ambiental, econômico e político. É uma questão multidisciplinar complexa, que deve considerar todos os aspectos da população envolvida em relação a esses temas.

Projetos sustentáveis complexos costumam envolver muitas partes interessadas, com interesses e papéis distintos, nacionalidades e características culturais diferentes. O arquiteto e gerente de projetos precisa ter consciência de que conduzir bem os requisitos de todos esses envolvidos é uma das chaves para o sucesso. Um projeto sustentável de sucesso pode ser dividido em três fases:

01

Pesquisa e Avaliação

Pesquisa e análise dos aspectos histórico-culturais, socioambientais, político-econômicos e técnico-construtivos.

02

Concepção

Definição das diretrizes do projeto, desenvolvimento do design e planejamento da execução para ganhar eficiência.

03

Intervenção

A execução em si: a Construção Sustentável, monitorada e controlada do início ao fim.

1. Pesquisa e Avaliação

A Fase de Pesquisa e Avaliação começa com uma pesquisa histórica profunda e um resgate sociocultural — às vezes quase antropológico — do lugar e da população envolvida, para reunir as principais informações sobre a cultura local. Perguntas como “de que forma a população se vê inserida no contexto ecológico-ambiental em que vive?” e “que papel desempenhou, e qual a importância dele?” são fundamentais para o sucesso do projeto e precisam ser respondidas e analisadas. Às vezes, informações importantes precisam ser resgatadas pelo conhecimento dos cidadãos mais velhos e por suas memórias, já que muitas delas se perderam ao longo dos anos.

O passo seguinte é entender a lógica das construções — das moradias aos edifícios de uso comum, templos e demais equipamentos sociais — e da organização urbano-espacial. Em outras palavras: a materialização dos costumes e tradições daquela população, moldada ao longo do tempo pelas gerações em seus espaços físico-construtivos, precisa ser analisada e compreendida.

É nesse momento que começa a avaliação técnica: identificar e interpretar as raízes construtivas das diversas técnicas usadas pelos construtores nativos — das fontes de material natural de construção e da mão de obra até todas as demais informações sobre os próprios métodos construtivos. Para alcançar os objetivos do projeto, essas técnicas devem ser combinadas com as contemporâneas — aumentando a eficiência, minimizando impactos ambientais negativos e otimizando custos —, sem comprometer o resultado final proposto: Construções Sustentáveis em harmonia não apenas com o meio ambiente, mas também com a técnica original usada na região pelos seus habitantes.

A verdadeira Arquitetura Sustentável considera todos os pilares da sustentabilidade: social, cultural, ambiental, econômico e político.

2. Concepção

Na Fase de Concepção, com base nas informações obtidas na fase anterior, a equipe estabelece as diretrizes do projeto, o design em si e os planos de execução. Aqui, é crucial que a equipe trabalhe unida e guiada pelo mesmo objetivo — disposta a encontrar as melhores soluções (soluções sustentáveis) para aquela comunidade específica.

Projetistas e gerentes de projeto também precisam considerar questões “externas” capazes de comprometer todo o projeto: a quantidade de material de construção disponível, os fornecedores locais, a logística e os custos, por exemplo. Às vezes, a escassez de alguns desses itens — ou a dificuldade de encontrá-los — interfere negativamente no projeto, levando a mudanças significativas quando os projetistas não estavam atentos. Com o projeto concluído, entra o plano de execução: a equipe define o cronograma, aloca os recursos e calcula os custos.

3. Intervenção

Considerando que as duas etapas anteriores foram cumpridas com sucesso, a Fase de Intervenção consiste, basicamente, em aplicar os planos e em monitorar e controlar a execução da construção sustentável — garantindo que todas as decisões sustentáveis tomadas anteriormente estejam sendo cumpridas. O resultado final deve atender às expectativas da comunidade envolvida, especialmente porque essa abordagem é ideal para comunidades sensíveis e minorias, como povos originários e indígenas.

Um exercício sobre sustentabilidade

Este exercício teórico sobre sustentabilidade e arquitetura sustentável busca compilar ideias sobre as boas práticas do tema. Pela complexidade e pelos detalhes que precisam ser observados, essa abordagem é adequada a projetos especiais — capazes de ajudar comunidades inteiras a resgatar suas raízes sob a ótica sustentável moderna. Muitas delas, como os povos originários, já utilizam parte dessas práticas sustentáveis, ainda que algumas estejam escondidas ou perdidas no tempo.

Uma abordagem como essa não atende aos resultados rápidos exigidos pelos projetos de áreas urbanas — a não ser em situações únicas, envolvendo um sítio histórico ou um edifício histórico dentro de uma comunidade inserida em área urbana densa. Mas, independentemente do uso prático, ela é importante por si só: provoca a discussão sobre a sustentabilidade e os temas que cercam esse conceito amplo.

ES

Esdras Souto Jr.

Arquiteto — BArch., LEED Green Associate · CAU A35600-0 · LinkedIn

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