Artigo · Sustentabilidade

Revolução Sustentável: o desafio dos projetistas de hoje

Por Esdras Souto Jr. — BArch., LEED Green Associate · Leitura: 4 min

Publicado originalmente em inglês no LinkedIn (4 de junho de 2017) — leia o original.

O mundo passou por uma profunda transformação social, econômica e estrutural em um curto período de tempo — transformações que geraram uma expansão territorial crescente e uma demanda cada vez maior por energia e recursos naturais.

Esse movimento despertou grande preocupação em organizações internacionais, governos e instituições que o observam há anos — e que perceberam a urgência de uma intervenção radical nesse processo, que precisa tomar um novo rumo. Daí nasceu o conceito de Desenvolvimento Sustentável, ou Sustentabilidade: a palavra que passou a definir esse novo paradigma, que considera desenvolvimento e meio ambiente indissociáveis e defende a equidade social, o cuidado ecológico e a eficácia econômica.

Equidade social

Desenvolvimento que inclui, pensado para todas as camadas da população.

Cuidado ecológico

Recursos naturais usados com responsabilidade, pensando nas próximas gerações.

Eficácia econômica

Crescer de forma viável, sem esgotar a base que sustenta o próprio crescimento.

Hoje se sabe que o crescimento econômico sustentável não é apenas possível: é condição fundamental para a vida no planeta — sob pena, afirmam os mais pessimistas, da própria extinção humana por falta de condições mínimas de sobrevivência, sobretudo diante da crescente escassez de água e do aquecimento global.

A construção diante do esgotamento

Nesse contexto, um dos setores mais afetados é o da construção. Passados apenas dois séculos da descoberta do cimento Portland, do concreto armado e das possibilidades quase infinitas de uso dos recursos naturais — água, areia, minerais, madeira, sílica e, principalmente, todos os derivados de petróleo — para a expansão e o crescimento das cidades, a humanidade encara agora o esgotamento real desses recursos.

Como esses recursos são essenciais à indústria da construção, muitas empresas ainda insistem em manter a mesma abordagem insustentável. Algumas, porém, evoluíram e começaram a operar de forma sustentável: usando materiais alternativos, produtos recicláveis e fontes de energia limpas e renováveis, como a solar e a eólica, a biomassa e os biodigestores.

Essas iniciativas, raras e pontuais, estão aos poucos deixando de ser exceção para virar regra.

O que ainda resiste em mudar

O mesmo vale para profissionais de muitas áreas — em particular, arquitetos e urbanistas que ainda relutam em mudar seus conceitos e métodos de trabalho, insistindo em aplicar conceitos insustentáveis em seus projetos. Um exemplo é a insistência em desenvolver projetos com materiais de alto valor energético agregado — produtos que exigem grandes processos químicos, causam grandes impactos ambientais e consomem muita energia na extração —, não recicláveis e de ciclo de vida curto.

Some-se a isso o planejamento de soluções paliativas para os maiores problemas das cidades, como os planos cada vez mais exagerados de abertura de ruas e avenidas para o tráfego de veículos particulares — desconsiderando áreas de nascente, a permeabilidade do solo e a drenagem natural. Muitos desses problemas afetam diretamente a todos, mas só são percebidos nas áreas urbanas onde esses “erros” continuam a acontecer.

A Revolução Sustentável

Ainda assim, em meio ao caos ambiental causado pela histórica incapacidade humana de viver em harmonia com a mãe natureza, soluções sustentáveis inteligentes vêm surgindo para minimizar os impactos das decisões equivocadas do passado — e, por que não dizer, também do presente! A nova geração de projetistas está abraçando a causa da sustentabilidade e criando uma verdadeira Revolução Sustentável, que resulta em soluções inovadoras, pensamento verde e compromisso social.

Guiado pelo princípio de cuidar agora dos recursos naturais para o uso das futuras gerações, esse movimento cresce rápido — com o compromisso também da população em geral, que passou a exigir isso de seus projetistas. É um movimento sem volta, que beneficia não o planeta, mas a própria raça humana.

ES

Esdras Souto Jr.

Arquiteto — BArch., LEED Green Associate · CAU A35600-0 · LinkedIn

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